Sequei pelas lembranças
e me fui saudoso de ti... Ave, Célia.
Ando agora caminhos outros.
Sangrei pelos sonhos,
transubstanciando-a... Ave, mulher.
Ave de vôo que não posso alcançar.
Cai de uma árvore
e não previa teu colo.
Revi minha meninice... Ave, poetisa.
Eu... criança a buscar-te.
Cresci num jardim
a voejar-te os versos
e os beijos de beija-flor... Ave, musa.
O colibri espia dali a sua vez.
És em mim, transeunte,
num deserto de estrelas tão crespas
que acendem a madrugada... Ave, Célia.
Ave de beleza tanta e total.
(Arte do querido amigo, grande escritor e poeta Felix Ventura)